8.7.10

Filhos do Sol

Pa pun!

Acontece alguma coisa em algum lugar. O som crepita na noite, as madeiras estalam nos armários e portas. O vento, sempre o vento: sopra. Temos tempo, temos noite. Noite a dentro. Noite, adentro. Sem pedir permissão, sem fazer barulho. Agora grite!
A plenos pulmões.

GRITE!

todo o seu pulmão se tornará ar, som, grito, estrela ou sombra.

Em algum lugar alguém é. Em algum lugar alguém me é mais do que eu me sou.
Não estou sendo, não estou.

Mas por que estaria?
o que eu seria?
Quais as possibilidades?

mas... para que?
Estaria?
Seria?
Possibilitaria?
Por que?
Por que não?

Então vamos lá: Pop open the bottles, roll up the joint, drop the candy.

Doce doce dia doce de sol celeste.
Mergulhado em espirais de existência as curvas parecem retas e o circulo passa a idéia de progressão. como é possível? Simplesmente é possível.
O que você pensaria de mim agora?
Filhos do Sol, caminhando sob o açoite agudo de nosso pai. A cada passo uma rajada de areia quente nos corta a pele, uma gota de suor salgado limpa a ferida. Estamos vivos!

Andamos pelas areias do deserto da vida sem medo de não encontrar o oasis. Não queremos o oasis mas sim o deserto, o desterro, o sol quente, o suor salgado, a areia seca e cortante.

Gritamos a plenos pulmões até que eles se dissolvam em fumaça sonora!

5.7.10

Caimentos

Sobre alguma coisa ou sob ela, não há tanto a se diferenciar assim, apenas uma questão gravitacional. E por isso mesmo terrena. Relativa ao espaço em que se encontra se constitui uma noção de peso e de tempo, pois só há peso onde há tempo.
Todo desequilíbrio é uma questão de tempo, de virações sazonais. Da onde vem o desquilíbrio? Dos lados. Para onde tende o desequilíbrio? Para baixo. Aonde se dá o desequilíbrio? No ar. Como ser no desequilíbrio? Flutuando.
Segue-se então uma questão: Da onde partem as sombras?
As sombras partem da luz.



Mas como será?

3.7.10

Você é o que você consome.

Pink is for boys, blue is for girls.

30.6.10

Passe.

Quanto tempo faz que as coisas voltaram?
Mas como saber do tempo se as coisas que voltaram são sem tempo, e ao voltarem nos tiram o tempo?

Não há tempo possível. Apenas uma sucessão de agoras. Agora. Agora.

Leve brisa leva o tempo embora e resta apenas o crepitar da brasa

Lave o carro. Quebre a louça. Deite na mesa. Queime o cabelo. Corte a sobrancelha.

não há janelas no espaço, mas há espaço nas janelas e molduras nos quadros.

Passe.

29.6.10

O dia passa, as sombras crescem.

O sol faz sombra.

estou na sombra, e é fresca, fria, úmida. O vento corta, a grama molha, o frio vem.

Qualquer coisa.