28.6.09

Sob/re Dadá.

Sob Dadá.

"será arte tudo o que eu disser que é arte" (Duchamp)

"A obra de arte nao deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta" (Tzara)

"o pensamento se faz na boca" (Tzara)

"sou por princípio contra o manifestos, como sou também contra princípios" (Tzara)

"Pegue um jornal.Pegue a tesoura.Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.Recorte o artigo.Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.Agite suavemente.Tire em seguida cada pedaço um após o outro.Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.O poema se parecerá com você.E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público." (Tzara)

Sobre Dadá.

4.6.09

Retomando

Venho por meio desta me reapoderar desse blog.
Minhas intenções com isso são puramente idílicas:
Todos e tudo não são influenciados por isso.
O mundo continuará igual.
Toda função atribuida a isso é nula.
Toda a nulidade atrabuida a isso é , por sua vez, também nula.

e por último, não há por último.

Bons sombreamentos.

21.12.08

Capítulo primeiro, da ambientação.

Ele se levantou, pegou sua xícara, e foi até o coffee room. Chegando lá, parou na entrada. A porta se encontrava semi-aberta. Ficou observando enquanto uma moça de cabelos castanhos, presos por um coque que apenas pegava metade, conversava com alguma pessoa. Provavelmente um homem. Ela era do setor de RH. Via-se em seus gestos uma afetação, certos trejeitos eram sinteticamente exagerados.
Entra na sala, despercebido, se serve de café, a última xícara. Fazer um novo bule, política de convivência. A ultima xícara está sempre passada.
-Com licença, sabe me dizer onde se encontra o café?
Um ríspido olhar, uma breve palavra e um leve gesto de mão em direção à dispensa.
A dispensa era padronizada, aquelas compradas em lojas populares por módulos. Ele sabia onde estava o café, ele sabia onde estava o café a 20 anos, ele sabia onde estava o café desde seu primeiro dia.Uma trivialidade a sua pergunta, apenas causada pela vontade de entabular conversação, um mero capricho.
Abriu a dispensa, pegou o café e fez novo bule.
Pegou sua xícara de café frio e passado e retornou para sua sala. Trabalhava em uma grande empresa, sua sala se resumia a três divisórias de um metro, ocupadas por uma cadeira, um computador e uma pequena lata de lixo.Nunca entendeu muito plenamente sua função dentro da empresa.Vez por outra recebia um memorando, corrigia os erros de português, melhorava a forma, passava adiante.De tempos em tempos, era convocado para uma reunião.Comparecia.Abanava a cabeça.Participava da votação.Ouvia tudo atentamente distraído.Voltava para sua sala.
Chegava as sete, saia às seis. Tinha uma hora de almoço. Era sempre pontual, chegava antes dos colegas, seja de manhã para o trabalho, seja do almoço.
Seis horas.Me levanto; até amanhã Gabriel; Tchau Bia; Pedro, boa viagem.
Mais um dia, Menos um dia. De trabalho, de vida.
Voltava para casa sempre andando. Seu salário não lhe permitia um carro, ele não queria, morava perto, caminhar é um excelente exercício. Baixo impacto.Um prédio respeitável, antigo, elevador com porta pantográfica.Um apartamento modesto.Morava sozinho. Aluguel barato.
Chegava em casa toda noite, tomava banho, esquentava alguma comida que ainda houvesse na geladeira; sim, que ainda houvesse na geladeira, raramente aparecia comida feita há pouco tempo; jantava vendo o jornal, olhava alguma matéria importante do jornal, fazia as palavras cruzadas, e ia se deitar. Nessa noite não foi diferente, em nenhuma noite foi diferente.
Despiu sua gravata, sua blusa, seu crachá, agora sim seu horário de trabalho havia acabado. Foi banhar-se. Água fria: ecologicamente correto, bom para a pele, bom para o espírito.Abriu a geladeira, colocou algumas sobras num prato, uma coxa de frango magra, alguns legumes e arroz.Microondas: outra atitude ecologicamente correta.
Senta-se no sofá com seu jantar, vê o jornal, as mesmas notícias. Lava a louça, relega um ultimo olhar para o jornal e vai dormir. Amanhã será um novo dia.
Acorda. Ainda está escuro. Como todo mortal, demora um pouco a sair da cama. Mais um dia, apenas mais um dia, somente mais um dia como outro qualquer, como todos os outros, como qualquer outro. Mais um dia a mais.

10.12.08

Mar de Idiotas

O conceito de um Mar de Idiotas é similar ao de Massa de Manobra, com uma pequena diferença: a massa de manobra é manobrada por forças externas, o mar de idiotas é manobrado por ele mesmo.
Mas como o Mar de Idiotas pode se auto manobrar? É simples, ele não tem direção , nem controle, ele apenas se manobra. Podemos vê-lo um pouco como aquelas bolas que se mechem sozinhas e pulam e rodam e rolam mas não chegam a lugar nenhum; a diferença entre eles se dá por as bolas terem um programação interna sobre o que fazer, mas que é afetada pelo meio onde elas se encontram, o Mar de Idiotas, ao contrário, não possui nenhuma programação interna e talvez não seja afetado pelo meio em que se insere, ele é o meio em que se insere.
Todos os movimentos espontâneos sem propósito que criam algo novo e não tem rumo nem destino, não evoluem e parecem, para a maioria que olha de fora, uma decadência podem ser pensados como um Mar de Idiotas.
Por sua característica auto manobrante o Mar de Idiotas é sempre imprevisível e estático. Estático no sentido que ele não se move para engolbar as coisas, todo o seu manobramento é interno, as coisas que se movem para ser englobadas por ele. O que ocorre, muitas vezes, é que os operantes das Massas de Manobra tentam se aliar ao Mar de Idiotas e tentam manobrá-lo, tarefa essa impossível. Porém, os publicitários e demais Manobrantes não precisam manobrar o Mar de Idiotas para usá-lo a seu favor, eles só precisam promovê-lo, entegrar-se parcialmente a ele e utilizá-lo para seus fins.
No entanto o Mar de Idiotas continua se manobrando e uma vez que se abre a porta para ele, ele incorpora o que nele entrar.

9.12.08

Proposta

Proponho que nada escrito aqui seja lido.
Proponho que tudo que for lido seja esquecido.
Proponho que você não seja um indivíduo.
Proponho que você não seja singular.
Proponho que você aceite todas as minhas propostas.
Proponho que você só continue se não aceitar minhas propostas.
Proponho que você leia o que mais for escrito aqui.