Passa. Olha. Se dirige. Senta. Estica ambas as mãos sobre a mesa:
- Eu tenho duas mãos para você. Mas a resposta não está em nenhuma delas. Está no fundo dos meus olhos. Quem é você e o que quer saber? Sei que você me procura.
Como decorreria depois essa cena? Não é uma cena. É um acontecimento. Uma forma de arte, uma forma de vida, uma forma de ser. Mas sob qual forma?
Agitação. O caos passa ao redor dos dois, sentados embaixo da tenda, ao lado da igreja. Centro da cidade, terno, saia, sutien, gritos, buzinas, pressa, venda. E os olhos? Fundos? Rasos? Enigmáticos? Convidativos?
Onde estão as minhas respostas? Suas respostas. A pergunta.
Tenho duas mãos. Tenho um passado. Tenho um futuro.
A resposta não está em nenhuma delas. Não está no passado. Não está no futuro.
Está no fundo dos meus olhos. Para se chegar ao fundo devemos mergulhar. Os olhos são uma entrada sem saída.
Quem é você e o que quer saber? É uma pergunta. São duas perguntas. Eu. Vontade. Saber. Individualiza. Dirige. Valoriza. Agora és. Agora queres. Agora sabes.
Sim, retenho todas as respostas. Não importam as perguntas. Nunca importam as perguntas. Sim, importam. As perguntas importam as respostas. Toda pergunta já é sua resposta. Não a pergunta. Quem a pergunta.
Sei que você me procura.
Big Lie
Há 15 anos
Um comentário:
Pô,bem legal, voce escreve bem ... Tem um dilema,uma dúvida que tece os textos,bem sensível(mais típico até das mulheres na literatura) e bem criativo (graças ao dilema!)
Parabéns!
Lê meu blog também, não as poesias,lê um conto.
inté
Claudia Kras
http://bigornatetraedrica.blogspot.com
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