27.6.10

Cadencie-se a vida. Ela é sempre no desequilíbrio... aquele segundo entre o cair e o levantar, aquele segundo no ar.

Essa é a vida.
As pernas dançando alucinadas, o tronco se retorcendo em sensações do ar em contato com a pele, o nariz respirando o mundo e sugando a vida.

Assim se dá o desequilíbrio.

Eu sou no meu desequilíbrio, sendo aquele que não caiu, mas quase foi, no momento sem apoios, sem chão e sem céus.

Lapsos rasgos luzes correm ao redor.

Você sente?
você lembra?
de que importa tudo isso...

é insignificante, como a brisa que corta a tarde e derruba a folha.

Somos a folha que cai dançando.

22.6.10

Tarde tardia

Olhos. Olhos de tarô cigano. Risonhos. Um leve sorriso de deboche de canto de boca. Tudo sabem e nada contam. Riam-se entre cataratas negras que lhes escondiam se mostrando. Mostrando a eles também. Brincavam de olhar... não. Brincavam de espiar, isso sim. Tinham a mesma profundeza dos oceanos e das ondas que correm sobre as areias da praia.
Trouxeram junto com eles o por-do-sol. Não aquele por-do-sol que é quase noite, mas aquele por-do-sol de ipanema onde o sol se vai, mas a luz, preguiçosa, se arrasta longamente, puramente carioca. A noite principiava devagar, como as mães carinhosas que suavemente ninam seus filhos e os velam, após adormecerem, para terem certeza que não voltarão a acordar.
Se instaurou magnífica a noite-lua, não a princesa invernal; era quente, voluptuosa, tropical. Menina de saia e blusinha de alça mexendo os cabelos ao som do violão, rodopiando no batuque negro dos tambores de fogo; noite nossa, noite-lua, noite-quente.
Cada passo ecoava no corpo em meio aquele turbilhão-dia de noite nova. Todos apressavam: tinham lugares para ir, lugares para vir, afazeres, coisas por fazer, horas, minutos segundos tinham pressa. Era isso. Todos tinham pressa. era ainda o reflexo do sol se manifestando naquelas pessoas. Com o passar das horas esfriam um pouco e a pressa diminui, mas não chega a ir embora. Não, não. A pressa é o virus do nosso tempo. Então vá, corra, ande logo você está atrasado.
Fica assim para mim os olhos, os olhares e o fim da tarde mole-mole indo, indo; indo. indo... in... do...

21.6.10

Trago Pulso

A cada tragada meu peito pulsa, pulsa, pulsa
E eu ?

Caminho.
Meio afetado...
Pelo consumo, insumo.
Caindo em lados e laterais de retas quase normais
Paralelas entre si a suas transversais
No equilíbrio samba da corda bamba
Segue como um jegue o que for diferente
De outra postura, tecitura, ou altura de pedra dura.

Sou só.
Sou.
Só.

16.6.10

tudo que for preciso.

O que dizer?
direi.. cerveja barata!
onde está o ácido?
sendo visto.
e o que mais?
mais nada...
mais nada...

15.6.10

Comece, olhando como alguém que olha alguém que olha alguém que olha alguém que escreve. E daí siga em diante.
Uma cena. Cena de comercial de televisão.
Dobre-se sobre e ao infinito.


Pontuando-se as pontuações se tornam pontuáveis em suas possíveis variantes invariáveis , dentro, é claro, de seus devidos sistemas lógicos.


Deve A implicar em B sempre será.
Sempre será a árvore verdejante
E se verá logo em seu semblante
Os resquícios do trajeto feito pela fibra ótica
E essa será uma ocasião ótima para afirmar
A sua impossibilidade.