Olhos. Olhos de tarô cigano. Risonhos. Um leve sorriso de deboche de canto de boca. Tudo sabem e nada contam. Riam-se entre cataratas negras que lhes escondiam se mostrando. Mostrando a eles também. Brincavam de olhar... não. Brincavam de espiar, isso sim. Tinham a mesma profundeza dos oceanos e das ondas que correm sobre as areias da praia.
Trouxeram junto com eles o por-do-sol. Não aquele por-do-sol que é quase noite, mas aquele por-do-sol de ipanema onde o sol se vai, mas a luz, preguiçosa, se arrasta longamente, puramente carioca. A noite principiava devagar, como as mães carinhosas que suavemente ninam seus filhos e os velam, após adormecerem, para terem certeza que não voltarão a acordar.
Se instaurou magnífica a noite-lua, não a princesa invernal; era quente, voluptuosa, tropical. Menina de saia e blusinha de alça mexendo os cabelos ao som do violão, rodopiando no batuque negro dos tambores de fogo; noite nossa, noite-lua, noite-quente.
Cada passo ecoava no corpo em meio aquele turbilhão-dia de noite nova. Todos apressavam: tinham lugares para ir, lugares para vir, afazeres, coisas por fazer, horas, minutos segundos tinham pressa. Era isso. Todos tinham pressa. era ainda o reflexo do sol se manifestando naquelas pessoas. Com o passar das horas esfriam um pouco e a pressa diminui, mas não chega a ir embora. Não, não. A pressa é o virus do nosso tempo. Então vá, corra, ande logo você está atrasado.
Fica assim para mim os olhos, os olhares e o fim da tarde mole-mole indo, indo; indo. indo... in... do...
Big Lie
Há 15 anos
Um comentário:
Curti-na magica. Sinto, A, sinto, ni, A. conexao
Arvores e nozes.
Verde proteina.
Do frutu roxo, nada sei.
Se me engano, sou.
;)
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