18.7.10

Ecos de chuva

Na chuva caminho o caminho de se voltar para onde não se quer chegar: casa.
A chuva lava os pecados, os pecados da carne - o pecado de ser, o pecado de querer, o pecado de não pecar. A chuva lava o imaculado e o deixa como é...

Quem caminha a meu lado na madrugada gelada?
caminho sozinho, acompanhado apenas do meu mais persistente demônio: Eu.

Não quero me livrar de nada, não quero também carregar nada.
Quero andar, apenas isso - ser acompanhado de perto pelos meus passos e por seus ecos no silêncio da noite; apenas assim poderei descansar.
Apenas cansado, caminhado, vivido, pensado, exausto, apenas assim poderei descançar.

E mesmo assim, na madrugada da minha vida, me encontro acordado a escrever para o nada, pelo nada. Escrevo o nada que me é existir. Não me interrogue acerca do por que (jamais conseguiria formular tal resposta, ainda que consiga pensar em tantas, todas seriam só respostas vazias), não me interessa, não me preenche nem esvazia, não me acalma.

Calma, preciso de calma pois ando muito quieto, parado, em-mim-mesmado. Calma para poder explodir ao tempo certo, sem precipitações, sem atrasos.
Não, não explodirei ainda. Não sei se um dia chegarei a explodir. Por enquanto ,





Espero

15.7.10

Sobre o Desequilíbrio.

O desequilíbrio me parece surgir dos pés, é nossa condição de ser vivo que se locomove. Andar é se desequilibrar. As plantas são equilíbrio, as pedras são equilíbrio. O ser humano? quer se fazer equilibrado, quer ser pedra, planta, pausa.

Não! Sejamos vento, água, animal.

Deslocar no espaço, deslocar o espaço, deslocar sem espaço. Eis o desequilíbrio: Ter os dois pés juntos, apoiados um sobre o outro como unica sustentação.
Desequilibrar-se talvez seja sentir-se desconfortável no momento estático. Sentir o infinito do momento que se expande em todas as direções e multiplica nossos modos de perceber e interagir, ai reside o pólem leve e fecundo levado pelo vento a campos desconhecidos.

Desequilíbrio talvez seja dança, desequilíbrio talvez seja cambalhota e circo.
Talvez, apenas talvez, andar sem encostar os pés no chão. O chão não deve ser o apoio para o corpo, a condição de estruturação desse - o chão deve ser visto como o ponto de impulsão, de propulsão - aquilo que nos puxa e nos empurra enquanto n´so puxamos e somos empurrados por ele. Qual o resultado de forças tão opostas e contraditórias, de forças deslizantes e mutantes agindo sobre outras forças de iguais características porém de comportamentos tão diferentes e arbitrário?
A cambalhota, a pirueta, a vida.
A potência de seguir em todas as direções por linhas que se desfazem a medida que tocamos nelas.
Desequilibrar-se é ver-se pele, é sentir-se pele, é aprofundar-se na pele.

Para nos desequilibrarmos devemos começar com os pés: Não os humanizemos, não os tornemos o sustentáculo de nosso corpo. Os pés são movimento e fluidez, assim como os braços, assim como o tronco, assim como viver.

Passos leves para sensações pesadas, passos pesadas para sensações leves.
Pedra? Perda.
Ser? Sendo.

Dobrar-se sobre si mesmo atravessando-se e saindo-se do avesso do que já não se é mais e do que nunca se foi. Desequilibrar é andar com passos de dança.

8.7.10

Filhos do Sol

Pa pun!

Acontece alguma coisa em algum lugar. O som crepita na noite, as madeiras estalam nos armários e portas. O vento, sempre o vento: sopra. Temos tempo, temos noite. Noite a dentro. Noite, adentro. Sem pedir permissão, sem fazer barulho. Agora grite!
A plenos pulmões.

GRITE!

todo o seu pulmão se tornará ar, som, grito, estrela ou sombra.

Em algum lugar alguém é. Em algum lugar alguém me é mais do que eu me sou.
Não estou sendo, não estou.

Mas por que estaria?
o que eu seria?
Quais as possibilidades?

mas... para que?
Estaria?
Seria?
Possibilitaria?
Por que?
Por que não?

Então vamos lá: Pop open the bottles, roll up the joint, drop the candy.

Doce doce dia doce de sol celeste.
Mergulhado em espirais de existência as curvas parecem retas e o circulo passa a idéia de progressão. como é possível? Simplesmente é possível.
O que você pensaria de mim agora?
Filhos do Sol, caminhando sob o açoite agudo de nosso pai. A cada passo uma rajada de areia quente nos corta a pele, uma gota de suor salgado limpa a ferida. Estamos vivos!

Andamos pelas areias do deserto da vida sem medo de não encontrar o oasis. Não queremos o oasis mas sim o deserto, o desterro, o sol quente, o suor salgado, a areia seca e cortante.

Gritamos a plenos pulmões até que eles se dissolvam em fumaça sonora!

5.7.10

Caimentos

Sobre alguma coisa ou sob ela, não há tanto a se diferenciar assim, apenas uma questão gravitacional. E por isso mesmo terrena. Relativa ao espaço em que se encontra se constitui uma noção de peso e de tempo, pois só há peso onde há tempo.
Todo desequilíbrio é uma questão de tempo, de virações sazonais. Da onde vem o desquilíbrio? Dos lados. Para onde tende o desequilíbrio? Para baixo. Aonde se dá o desequilíbrio? No ar. Como ser no desequilíbrio? Flutuando.
Segue-se então uma questão: Da onde partem as sombras?
As sombras partem da luz.



Mas como será?

3.7.10

Você é o que você consome.

Pink is for boys, blue is for girls.