O desequilíbrio me parece surgir dos pés, é nossa condição de ser vivo que se locomove. Andar é se desequilibrar. As plantas são equilíbrio, as pedras são equilíbrio. O ser humano? quer se fazer equilibrado, quer ser pedra, planta, pausa.
Não! Sejamos vento, água, animal.
Deslocar no espaço, deslocar o espaço, deslocar sem espaço. Eis o desequilíbrio: Ter os dois pés juntos, apoiados um sobre o outro como unica sustentação.
Desequilibrar-se talvez seja sentir-se desconfortável no momento estático. Sentir o infinito do momento que se expande em todas as direções e multiplica nossos modos de perceber e interagir, ai reside o pólem leve e fecundo levado pelo vento a campos desconhecidos.
Desequilíbrio talvez seja dança, desequilíbrio talvez seja cambalhota e circo.
Talvez, apenas talvez, andar sem encostar os pés no chão. O chão não deve ser o apoio para o corpo, a condição de estruturação desse - o chão deve ser visto como o ponto de impulsão, de propulsão - aquilo que nos puxa e nos empurra enquanto n´so puxamos e somos empurrados por ele. Qual o resultado de forças tão opostas e contraditórias, de forças deslizantes e mutantes agindo sobre outras forças de iguais características porém de comportamentos tão diferentes e arbitrário?
A cambalhota, a pirueta, a vida.
A potência de seguir em todas as direções por linhas que se desfazem a medida que tocamos nelas.
Desequilibrar-se é ver-se pele, é sentir-se pele, é aprofundar-se na pele.
Para nos desequilibrarmos devemos começar com os pés: Não os humanizemos, não os tornemos o sustentáculo de nosso corpo. Os pés são movimento e fluidez, assim como os braços, assim como o tronco, assim como viver.
Passos leves para sensações pesadas, passos pesadas para sensações leves.
Pedra? Perda.
Ser? Sendo.
Dobrar-se sobre si mesmo atravessando-se e saindo-se do avesso do que já não se é mais e do que nunca se foi. Desequilibrar é andar com passos de dança.
Big Lie
Há 15 anos
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